Caminantes

O que levar na mochila para o Caminho de Santiago

Por August Frederik Kramer, que fez o Caminho duas vezes · Última atualização 11 de agosto de 2026

Todas as listas de bagagem são, no fundo, uma discussão sobre peso. A regra de que depende tudo o resto é esta: leva 10 por cento do teu peso corporal, água incluída. Tudo o que acrescentares tem de ganhar o lugar contra esse número.

A regra do peso, e porque conta mais do que a lista

Para quem pesa 75 kg, 10 por cento são cerca de 7,5 kg. Doze por cento é um limite rígido. Parece restritivo até se ver alguém a mandar coisas para casa a partir de Pamplona, o que acontece em todos os Caminhos, todas as semanas do ano. Faz a mochila, pesa-a, e tira coisas até o número bater certo.

Vestido e na mochila

  • Calçado já feito ao pé. As sapatilhas de trilho servem a quase toda a gente neste terreno. Botas, se sabes que precisas do apoio do tornozelo.
  • Sandálias ou socas leves para a noite e para os duches. Servem também de calçado de emergência se as bolhas tornarem os sapatos insuportáveis.
  • Dois pares de meias de caminhada, mais o que levas calçado. Merino ou sintético. Nunca algodão.
  • Duas mudas de roupa. Duas t-shirts, uns calções, umas calças compridas ou leggings.
  • Uma camada quente. Um polar leve ou um casaco de penas fino.
  • Proteção para a chuva. Na Galiza, um poncho que cubra também a mochila vale mais do que casaco mais capa de mochila.
  • Chapéu e óculos de sol. Na meseta não há sombra durante horas.

Dormir e higiene

  • Saco-lençol no verão, saco-cama leve de outubro a abril.
  • Toalha de microfibra, tamanho de rosto.
  • Um sabonete que sirva de gel de banho, champô e detergente. Um objeto em vez de três frascos.
  • Tampões para os ouvidos e máscara de dormir. Numa camarata de 40 camas não são opcionais.
  • Dois alfinetes de dama ou molas para pendurar a roupa lavada na mochila enquanto caminhas.

Os pés, que são a viagem toda

  • Pensos para bolhas, dos hidrocoloides, mais do que julgas precisar.
  • Fita de óxido de zinco ou leukotape, para ligar os pontos de atrito antes de virarem bolhas.
  • Tesoura pequena ou corta-unhas. Unhas dos pés compridas dão hematomas nas descidas.
  • O analgésico que já sabes que toleras.
  • Medicação receitada, na embalagem original.

O melhor hábito de todos: parar ao primeiro sinal de atrito e ligar. Dez minutos agora poupam-te uma semana a coxear.

Documentos e dinheiro

  • Credencial do peregrino, carimbada todos os dias, duas vezes por dia nos últimos 100 km.
  • Passaporte ou cartão de cidadão, e uma fotografia guardada à parte.
  • Um cartão de débito ou crédito, mais 50 a 100 € em dinheiro. As aldeias pequenas e os albergues municipais só aceitam dinheiro muitas vezes.
  • Os dados do seguro de viagem ou de saúde. Para cidadãos da UE, o cartão europeu de seguro de doença.

Eletrónica, sem contar histórias

  • Telemóvel e carregador. É o teu mapa, a tua máquina fotográfica e a cópia da credencial.
  • Powerbank de 10.000 mAh. As tomadas nos albergues são disputadas e o registo por GPS come bateria. É o objeto de que mais gente se arrepende de não ter levado.
  • Uma extensão curta ou um carregador de duas portas, para que uma tomada chegue para ti e para mais alguém. Torna-te popular.
  • Deixa em casa o portátil, o tablet, o drone e a segunda máquina fotográfica.

Fica em casa

As calças de ganga. Uma toalha grande. O secador. Mais do que um livro. Qualquer coisa «por via das dúvidas» que pese mais de 200 g. Espanha vende tudo o que te esqueceste, normalmente a menos de dois dias de caminho, e muitas vezes numa farmácia que já viu o teu problema mil vezes.

Uma última verificação

Enche a mochila por completo e faz 10 km antes de partires. Não uma volta ao quarteirão: dez quilómetros, a ritmo, com a água que vais mesmo levar. Todos os problemas da tua forma de fazer a mochila aparecem nessa caminhada, quando ainda os podes resolver de graça. Se o teu primeiro dia a sério for uma subida, e no Camino Francés é, mais vale saberes antes.

Perguntas frequentes

Quanto deve pesar a mochila no Caminho?

Aponta aos 10 por cento do teu peso corporal e trata os 12 por cento como teto, água incluída. Para quem pesa 75 kg são cerca de 7,5 kg. O peso é de longe o melhor indicador de se os pés e os joelhos vão sobreviver à primeira semana.

Botas ou sapatilhas de trilho?

Aquelas com que já fizeste 100 km. O Caminho é sobretudo terra batida e alcatrão, e não terreno alpino, por isso as sapatilhas de trilho servem à maioria das pessoas e secam mais depressa. Botas novas compradas para a viagem são a causa mais comum de uma primeira semana estragada.

É preciso saco-cama?

No verão chega um saco-lençol leve, porque os albergues dão cobertores ou os quartos são quentes. De outubro a abril leva um saco-cama leve. Em qualquer dos casos o saco-lençol compensa, quanto mais não seja por higiene.

Quantas mudas devo levar?

Duas de tudo, e a terceira é a que trazes vestida. À noite lavas o conjunto do dia e seca durante a noite. Tudo o resto é peso que carregas cinco semanas para usar duas vezes.

O que é que não devo levar?

Uma toalha maior do que uma de rosto, calças de ganga, um segundo par de sapatos além das sandálias, o secador, mais do que um livro, e qualquer objeto acima de 200 g que venha «por via das dúvidas». Tudo o que precisares pelo caminho compra-se em Espanha.

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